Cannabis Medicinal para Epilepsia

A epilepsia refratária é a condição com evidência científica mais robusta para o uso de cannabis medicinal. O CBD (canabidiol) foi aprovado pela FDA em 2018 sob o nome Epidiolex para tratamento das Síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut. No Brasil, o acesso é regulamentado pela ANVISA.

O que é epilepsia refratária?

Epilepsia refratária (ou resistente a medicamentos) é definida como epilepsia que não responde adequadamente a pelo menos dois anticonvulsivantes utilizados em doses e tempo adequados. Estima-se que 30% dos pacientes com epilepsia sejam refratários — cerca de 600.000 pessoas no Brasil.

As formas mais graves incluem:

  • Síndrome de Dravet: Epilepsia grave da infância, com crises frequentes e deterioração cognitiva. Início no primeiro ano de vida. Mortalidade elevada.
  • Síndrome de Lennox-Gastaut: Epilepsia com múltiplos tipos de crises, início entre 1-7 anos, déficit intelectual progressivo.
  • Complexo de Esclerose Tuberosa: Condição genética com epilepsia refratária em até 90% dos pacientes.

Evidências científicas — o caso mais forte da cannabis medicinal

Ensaio clínico fase III — Dravet (2017): 120 crianças e adolescentes. CBD 20mg/kg/dia reduziu a frequência de crises convulsivas em 39% vs. 13% no grupo placebo. 5% dos pacientes ficaram livres de crises. Publicado no New England Journal of Medicine.

Ensaio clínico fase III — Lennox-Gastaut (2018): 225 pacientes. CBD reduziu crises de queda em 44% (20mg/kg) e 42% (10mg/kg) vs. 22% placebo. Publicado no The Lancet.

Aprovação FDA (2018): Epidiolex (CBD purificado oral) aprovado para Dravet e Lennox-Gastaut em pacientes a partir de 2 anos. Primeiro medicamento derivado de cannabis aprovado pelo FDA.

Extensão para Esclerose Tuberosa (2020): Epidiolex aprovado como tratamento adjuvante para crises associadas ao Complexo de Esclerose Tuberosa.

Referências de dosagem na literatura

A dosagem de cannabis medicinal é única para cada paciente e deve ser definida exclusivamente pelo neurologista ou médico prescritor responsável. Os valores abaixo são referências do protocolo Epidiolex (estudos fase III) e não substituem avaliação médica individualizada. Cada caso de epilepsia tem características próprias que influenciam diretamente o protocolo terapêutico.

Protocolo Dosagem Observação
Dose inicial2,5 mg/kg/diaDividida em 2 tomadas
Dose de manutenção5 — 10 mg/kg/diaAumento semanal conforme tolerabilidade
Dose máxima recomendada20 mg/kg/diaConforme protocolo Epidiolex

Referências do protocolo Epidiolex. A dosagem real deve ser definida, ajustada e monitorada exclusivamente pelo neurologista responsável, considerando o quadro clínico individual do paciente.

Acesso no Brasil

Pacientes com epilepsia refratária no Brasil podem acessar CBD por três vias:

  1. 1. Importação via ANVISA (RDC 660): Prescrição de neurologista + autorização ANVISA. Acesso ao Epidiolex e outros produtos de CBD. Prazo: 10-15 dias úteis.
  2. 2. Farmácia brasileira (RDC 327): Produtos CBD predominante disponíveis com receita. Concentrações podem ser insuficientes para epilepsia grave.
  3. 3. Associação de pacientes: Custo reduzido, especialmente para famílias de baixa renda. ABRACE e APEPI atendem muitos pacientes com epilepsia.

Cobertura por plano de saúde: Há precedentes judiciais favoráveis para cobertura de CBD em epilepsia refratária. A CannHub conecta pacientes a advogados especializados que podem auxiliar nesse processo.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico profissional. Sempre consulte um médico antes de iniciar qualquer tratamento com cannabis medicinal. A CannHub não prescreve medicamentos — conectamos pacientes a profissionais de saúde verificados.

Última atualização: 2026-03-25 | Conteúdo revisado pela equipe CannHub

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